
Empresas investem em treinamento, tecnologia, gestão de desempenho e benefícios para aumentar a produtividade dos colaboradores. Há toda uma indústria dedicada a entender o que faz as pessoas trabalharem melhor, com mais foco, mais engajamento e menos ausências.
Nenhum desses estudos menciona o banheiro.
E, no entanto, a pesquisa está lá. O impacto dos espaços sanitários no bem-estar, no engajamento e na produtividade dos colaboradores é documentado, mensurável e sistematicamente ignorado nas decisões de gestão.
O elo que ninguém traça
Uma das pesquisas mais citadas sobre produtividade no trabalho foi conduzida pela Saïd Business School da Universidade de Oxford, em parceria com a operadora de telecomunicações BT. O estudo, realizado ao longo de seis meses com mais de 1.800 colaboradores, chegou a uma conclusão direta: trabalhadores felizes são 13% mais produtivos. Não porque trabalham mais horas, mas porque produzem mais no mesmo tempo, cometem menos erros e se ausentam menos.
O que determina a felicidade e o bem-estar no trabalho? A resposta inclui muitas variáveis: liderança, reconhecimento, clareza de papéis, cultura organizacional. Mas há um fator físico que raramente entra nessa lista, apesar de afetar todos os colaboradores, várias vezes ao dia: a qualidade do ambiente que utilizam para necessidades básicas.
Uma pesquisa global da Tork, empresa do grupo Essity, realizada com mais de 11.500 pessoas em 11 países, revelou que 25% dos colaboradores passam menos tempo no local de trabalho quando os sanitários são inadequados, e 15% optam por trabalhar remotamente com mais frequência do que fariam de outra forma. Em um contexto em que empresas investem para trazer equipes de volta ao presencial, o sanitário coletivo está, silenciosamente, empurrando pessoas para fora do escritório.
O que a pesquisa mostra, em números
Os dados sobre o impacto dos sanitários no ambiente corporativo são mais extensos do que a maioria dos gestores imagina:
Pesquisa da Tork revelou que os banheiros respondem por mais de 45% das reclamações em edifícios corporativos, mais do que qualquer outro aspecto do ambiente de trabalho. 85% dos colaboradores acreditam que o estado dos sanitários reflete a higiene geral do local de trabalho. 67% dos funcionários são mais propensos a reclamar das condições do banheiro do que de qualquer outra área do escritório.
Um levantamento com mais de 1.400 trabalhadores mostrou que 1 em cada 10 colaboradores evita usar o sanitário do próprio local de trabalho por preocupações com higiene. E mais da metade afirmou ter ficado "chocado" com o estado do banheiro da empresa pelo menos uma vez nos últimos seis meses.
Pesquisas publicadas na ResearchGate sobre o impacto da limpeza na produtividade dos colaboradores apontam que ambientes mais limpos estão associados a maior satisfação no trabalho, e que essa relação é estatisticamente significativa entre trabalhadores de escritórios. Colaboradores em ambientes bem mantidos demonstram maior satisfação no local de trabalho e reportam mais conforto para realizar suas atividades.
O presenteísmo que ninguém mede
Há uma forma de perda de produtividade que não aparece em nenhum relatório de absenteísmo: o presenteísmo. O colaborador está presente, mas opera abaixo de sua capacidade porque está desconfortável, indisposto ou simplesmente insatisfeito com as condições do ambiente.
Quando o sanitário é inadequado, mal abastecido ou com equipamentos defeituosos, o colaborador não anota isso em nenhum formulário. Mas o impacto é real: pausas mais curtas do que o necessário por desconforto, tensão acumulada por condições que não são resolvidas, e uma percepção difusa de que a empresa não se preocupa com os detalhes do dia a dia de quem trabalha nela.
Esse último ponto tem peso. A percepção de ser valorizado ou não pela organização é um dos fatores que mais influenciam o engajamento. E o ambiente físico, especialmente os espaços de uso coletivo, comunica essa valorização de forma direta e constante.
O que os dados da Tork revelam sobre presença
O levantamento global da Tork com mais de 11 mil pessoas em 11 países, divulgado em 2025, trouxe um dado que deveria aparecer em toda discussão sobre retorno ao trabalho presencial: 1 em cada 4 colaboradores já passou menos tempo no local de trabalho por causa de sanitários inadequados. E 15% aumentaram o trabalho remoto especificamente por essa razão.
São dados de comportamento real, não de intenção. Colaboradores não estão declarando preferência pelo home office: estão evitando um ambiente físico que os desconforta. E as empresas que não percebem essa conexão continuam investindo em estratégias de retorno ao presencial sem resolver um fator concreto que afasta as pessoas.
Uma conexão que começa a fazer sentido
Gestores que pensam em produtividade tendem a olhar para as variáveis mais visíveis: metas, ferramentas, processos, reuniões. O ambiente físico, quando entra na discussão, costuma ser reduzido a ergonomia de cadeiras, iluminação e temperatura.
O sanitário coletivo é, de todas as variáveis físicas do ambiente de trabalho, a mais utilizada e a menos avaliada. Todos passam por ele várias vezes ao dia. Todos têm uma opinião sobre as condições que encontram. E, como a pesquisa mostra, essa opinião afeta comportamentos concretos: quanto tempo passam no local, com que frequência adoecem, e como percebem o cuidado da empresa com quem trabalha nela.
A relação entre sanitários e produtividade não é intuitiva. Mas ela é real, documentada e, na maior parte das empresas, completamente ignorada.
Talvez seja hora de mudar isso.
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Fontes
Happy workers are 13% more productive — Saïd Business School, Universidade de Oxford, 2019. ox.ac.uk
Most Public Restrooms Are Failing Hygiene Expectations, Costing Businesses — Tork / Facilities Management Advisor, 2025. facilitiesmanagementadvisor.com
Tork survey highlights how restroom cleanliness impacts customer loyalty and sales — Tissue Online North America, 2025. tissueonlinenorthamerica.com
Study Reveals Link Between Clean Workplaces and Employee Satisfaction — Tork / Cleanlink. cleanlink.com
Impact of cleanliness on the productivity of employees — ResearchGate. researchgate.net
